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24/05/2013

Travessia Serra Fina Maio 2013



Travessia Serra Fina – 3 dias

Quem Foi
Fomos só eu, Cristiano Amaro, e meu irmão Atla Amaro. Os outros parceiros tiveram dificuldade em negociar folga, já que precisaríamos de alguns dias da semana livre.

Planejamento e Preparativos

Como essa travessia é considerada uma das mais difíceis do Brasil, tivemos o cuidado de planejá-la com bastante antecedência. Programamos nossa saída de Curitiba para o dia 10/05/13 (sexta) e retorno no dia 15/05/13, que acabou sendo antecipado em 01 dia (mais abaixo saberão por que).
Uma das maiores dificuldades da Serra Fina é a escassez de água, de modo que planejamos que cada um levaria 5,5 litros do liquido precioso, dividido em 2 garrafas pet 2 litros e 1 cantil de 1 litro. Isso somado ao restante da carga das mochilas pesou mais de 19kg (outro fator preocupante é o peso).

Ônibus
Ida
Curitiba – São Paulo
Embarque       Tipo               Tarifa             Duração     Previsão                  Empresa
23:20              CONV            R$73,50        06:00         11/05/2013 05:20    COMETA

São Paulo – Passa Quatro
Embarque     Tipo                 Tarifa             Duração        Previsão                 Empresa
07:00              CONV            R$47,47        04:50            11/05/2013 11:50    COMETA

Fiquei com medo de comprar a passagem pra esse horário e o busão de Curitiba pra São Paulo atrasar. Por curiosidade olhei na noite de sexta feira como estavam as reservas e, pra minha decepção, o ônibus das 7h já estava lotado, assim como o das 8h. Pra garantir comprei a passagem para o próximo horário, 12:15h


Programação Inicial
11/05/13 Rodovia MG 158 – Toca do Lobo
10 km – 4h (previsão de chegada 16h)

12/05/13 Toca do Lobo – Acampamento 01 Capim Amarelo
Pegar água na Toca do Lobo
5 km - 8h (previsão de chegada 15h)

13/05/13 Capim Amarelo – Acampamento 02 Pedra da Mina
Pegar água no Rio Claro
7 km - 8h (previsão de chegada 15h)

14/05/13 Pedra da Mina – Acampamento 03 Pico Três Estados
Pegar Água no Rio Verde (Vale do Ruah)
8 km - 9h (previsão de chegada 16h)

15/05/13 Pico Três Estados – Sitio Pierre
10 km - 5h (previsão de chegada 12h)



Saída de Curitiba
O ônibus, como de praxe, saiu atrasado em quase 40 min. Como nossa passagem pra Passa Quatro era só depois das 12h tínhamos tempo de sobra. Acordei muito cedo na sexta feira e estava bem cansado, foi sentar no busão e dormir. Mas meu sono durou apenas meia hora, as 00:30 fui acordado por um policial federal.  - Você é o Cristiano Amaro? Respondi que sim e ele me pediu para que descesse do ônibus e o acompanhasse. Na hora pensei milhões de coisas ruins (tragédia com familiares, atraso de pensão alimentícia... isso que nem tenho filhos rs). Depois fiquei mais tranquilo quando descobri que se tratava da nossa bagagem. Um cão farejador (falhado rs) implicou com a mochila do Atla e os policiais pediram pra revistar a dita cuja. Fiquei com pena do meu irmão porque nossas mochilas estavam muito cheias e deu um trabalhão tirar tudo de dentro pra depois arrumar de novo. Resumindo, acho que desgraçado do cachorro gostou do cheiro da calabresa que estávamos levando. Como não tínhamos drogas (nem camisa do Corinthians) fomos liberados, isso depois de longos 30 minutos. Gostei de ver a decepção dos passageiros, que apostaram que éramos traficantes de drogas hehe.
Chegamos na rodoviária do Tiete antes das 6h da manhã. A primeira coisa que fizemos foi ir ao guichê da empresa Cometa e tentar antecipar o horário da passagem pra Passa Quatro. Por sorte colocaram mais um ônibus pras 8:30h e ainda tinha lugar. Um pouco depois das 13h estávamos em Passa Quatro.

Dica: 
Evitem sair de Curitiba na sexta feira ou em véspera de feriados. Só assim você poderá reservar a passagem pra Passa Quatro sem medo do ônibus Curitiba / São Paulo atrasar e acabar perdendo o embarque pra Minas.


Passa Quatro
Depois de um almoço caprichado, num restaurante próximo ao terminal rodoviário pegamos a rodovia sentido estrada Toca do Lobo, que fica a aproximadamente 2km do centro de Passa Quatro. Muito ruim andar nessa rodovia, não tem acostamento. Em poucos minutos estávamos no inicio da estrada e às 15h iniciamos nossa caminhada.
A estrada é só subida, a altitude inicial é de pouco mais de 960m e termina acima dos 1600m. Dá pra vencer o percurso de aproximadamente 10km em menos de 4 horas de caminhada. A estrada é muito bonita e repleta de araucárias e eucaliptos. Pouco antes da chegada a Toca do Lobo dá pra ver como será o inicio da empreitada.
Antes das 19h estávamos na Toca do Lobo, onde acampamos e fizemos um jantar caprichado, macarrão com calabresa.



1º Dia 12/05/13 – Da Toca do Lobo até o Maracanãzinho – Dia tranquilo com caminhada leve.
Pra iniciar a trilha deve-se cruzar o rio bem em frente à Toca do Lobo. A maioria das pessoas, assim como nós, prefere pegar água nesse rio, mas um pouco antes do Quartzito tem um ponto de água. Depois de pegarmos 5,5 litros de água, cada um, iniciamos a travessia, às 8h. Já de cara a trilha é bem íngreme e dá pra ter noção de como será dali pra frente. Poucos metros acima já dá ter uma vista bem interessante da cidade de Cruzeiro (acho eu) e do Quartzito, separado por um longo corredor sobre a crista dos morros.
Encontramos com 2 montanhistas locais que estavam empenhados em abrir uma trilha que liga o centro de Passa Quatro (próximo ao terminal rodoviário) ao cume do Capim Amarelo, passando por algumas poucas montanhas e desviando a estrada da Toca do Lobo. Eles acreditam que em 1 ano terão concluído sua missão.
As 11:30h, depois de muita subida, já estávamos no cume do Capim Amarelo. A principio esse era o objetivo do dia, mas como ainda estava muito cedo decidimos almoçar e avançar até o Maracanãzinho pra ganhar algum tempo pro dia seguinte, que no caso seria mais puxado que o anterior. As 15h depois de bater aquele rango (arroz, feijão e calabresa) e tirar uma soneca merecida, já que tínhamos dormido mal nos 2 últimos dias, partimos pro camping próximo ao Maracanãzinho. Do Capim Amarelo até lá levamos 1h e 40min. A descida tem que ser feita bem pela esquerda, é só seguir os totens.
Assistimos o por do sol, muito lindo por sinal, armamos nossa barraca, jantamos e antes das 21h estávamos recolhidos no aconchego do saco de dormir.
Dicas:
- Mesmo que esteja munido de GPS poderá confiar nos totens;
- Se chegar depois das 15h no cume do Capim Amarelo vale a pena acampar lá. O camping é bem protegido pelos capins altos e o chão é bem macio e plano.
- Independente se quiserem pegar água na toca, ou antes do Quartzito, o recomendado é que levem de 4 a 6 litros. Talvez, como no nosso caso sobre, mas é melhor pecar pelo excesso quando se trata do liquido precioso.




2º Dia 13/05/13 – Do Maracanãzinho ao cume da Pedra da Mina – Dia relativamente puxado com trechos de escalaminhada e alguns vales.
As 7h da matina iniciamos nossa jornada até a Pedra da Mina. Algumas subidas e vales e lá por 10:30h estávamos no riacho, último ponto de água antes do cume da Pedra da Mina. Aproveitamos pra nos lavar e dar uma vadiada. Já que teríamos que almoçar mesmo aproveitamos pra fazer o grude ali, assim poderíamos lavar a louça com a água do riacho e pouparíamos o liquido. Depois de um almoço e mais um cochilo rsrs rumamos pro ataque a Pedra da Mina, eram 14h e 20min. Mais uma vez coletamos 5,5 litros de água cada um. A subida é bem puxada com alguns trechos de escalaminhada, mas como estávamos descasados vencemos o trajeto em pouco mais de 1 hora e as 15h e 30min estávamos apreciando a vista do cume.
Montamos acampamento (o vento atrapalhou um pouco) e ficamos assistindo a mais um por do sol, mais fascinante ainda que o anterior. Ali no cume tem poucas opções de camping, mas como não tinha ninguém além de nós dois arranjamos um lugar bacana e relativamente protegido do vento, que estava forte por sinal. Jantamos e antes das 20h nos recolhemos em nossa barraca. Foi a noite mais agradável que tivemos, dormi muito bem.


Dicas:
- Antes do riacho tem a Cachoeira Vermelha, mas não é um bom lugar pra pegar água;
- Se fizerem a travessia em algum feriado correram risco de não achar lugar pra acampar no cume da Pedra da Mina, desça até o Vale do Ruah que bem no comecinho tem uma clareira legal pra acampar. No track que estou disponibilizando tem várias áreas de camping marcadas;
- Mais uma vez fique atento aos totens, não invente caminhos alternativos, acredite, não vale a pena.



3º e último dia – Da Pedra da Mina até a BR-354 – Dia intenso, com muito sobe e desce, escalaminhada, encharco e vales repletos de bambus.
As 19h e 10min iniciamos a descida da Pedra da Mina sentido Vale do Ruah. A descida é bem forte e íngreme, além de perigosa, levando em consideração a dificuldade de se equilibrar com quase 20kg nas costas. Não caia na tentação de subir o morro (que inclusive tem alguns totens bem visíveis) que fica no final da descida. Pegue a esquerda e termine de descer até o vale do Ruah. Nesse ponto a caminhada é lenta devido ao capim alto e solo “pantanoso”, mas pra quem está acostumado com terreno assim fica divertido. O esquema, depois de caminhar até o Rio Verde (1/4 de distância entre o inicio e o fim do vale) siga sempre margeando ele pela direita, nunca cruze o rio. A trilha é bem fechada e confusa, repleta de “caminhos de rato”. Se tiver um GPS em mãos e seguir meu track poderá ganhar um tempo precioso. Depois do último ponto de água (também está marcado) a trilha começa a rumar mais para a direita e o vale termina iniciando a subida que dá acesso ao Cupim de Boi. Novamente deve-se abastecer com água, principalmente se pretende acampar no cume dos 3 Estados.
Depois de algum sobe e desce (mais sobe do que desce), antes do meio dia, estávamos no cume dos 3 Estados. Pra nossa tristeza o tempo estava totalmente encoberto, impossibilitando qualquer tipo de vista. Não achamos que valia a pena acampar ali e ainda era muito cedo então decidimos fazer um lanche rápido e terminar a travessia naquele mesmo dia, afinal da li até a BR calculamos que levaríamos no máximo mais 5 horas de caminhada. Começamos a descer o cume por volta de 12h e 30min. A trilha fica bem pesada com muito, mas muito sobe desce passando hora pela crista dos morros, hora por vales repletos de bambu. As descidas são bem fortes também, mas os galhos e o matinho ajudam a diminuir a carga das pernas. A mais emocionante escalaminhada, no meu ponto de vista, é a do Alto dos Ivos, nos divertimos muito. Depois de suar a camisa (fizemos muito rápido mesmo) por 3h e 30min já estávamos no final da trilha. Lá tem uma bifurcação, pegue a estrada da esquerda, ela leva ao Sitio do Pierre.
Não tinha ninguém no Sitio do Pierre, mas paramos ali perto pra fazer mais um lanche e tomar um suco, na verdade tomamos 1 litro de suco cada um hsuahuashsaua. Dali até a BR dá pra fazer em menos de uma hora. A estrada passa por 2 porteiras e alguns pontos de água, uns fracos e outros fortes.
Lá por 17h estávamos na BR, onde ligamos pro taxista / motorista de funerária (kkkk) José Roberto (35) 9113-4325, que nos cobrou a bagatela de R$60,00 pra nos levar até Itanhandu, distante quase 40km, onde pegamos o Cometa pra Sampa.

Dicas:
- Se pretende fazer a travessia em 4 dias vale a pena acampar no cume dos 3 Estados;
- Como a trilha é repleta de bambus use manga longa e calça comprida, mesmo que esteja calor, ou ficará cheio de arranhões nas pernas e braços;
- Se pretende fazer em 3 dias esqueça de almoço no último dia, faça um lanche rápido.






Vídeo

  

Track para Download



Montanhoso, Subindo Montanhas e Conquistando Amizades.

12/09/2012

Travessia pelos Platôs da Serra Geral - SC




Ficha Técnica
Dificuldade: Difícil / Pesado
Extensão: Aprox. 88 km
Tempo de duração: 4 dias
Ponto culminante: Morro da Boa vista com 1.827 metros
Aquisição de dados: GPS Garmin 60 CSX


Itinerário, distância e custos
Empresa
Trecho
Distância
Custo
Catarinense
Curitiba / Lages
364 km
R$ 56,06
Reunidas
Lages / Alfredo Wagner
100 km
R$ 26,26
Reunidas
Urubici / Florianópolis
171 km
R$ 35,01
Catarinense
Florianópolis / Curitiba
300 km
R$ 44,25


Custo Total R$ 161,58 (preços praticados em Maio de 2012)

Histórico
Localizada entre os municípios de Bom retiro, Alfredo Wagner e Urubici, passando pela Serra Geral, Campo dos Padres e Serra da Anta Gorda, essa travessia é considerada a mais bela e difícil da região sul do Brasil. Parte da travessia é constituída por estradas rurais e o restante por platôs e vales.
A temperatura é extremamente baixa durante o outono e inverno. A geada é muito comum e alguns dias do ano chega a nevar.

Participantes
Cristiano Amaro
Elder Ribeiro
Fernando Amaro
Heder Amaro
Ronaldo Oliveira
Thiago Bürguer

Relato
Quase dois anos após a primeira empreitada resolvemos encarar a travessia novamente. Desta vez contamos com a participação de mais 4 integrantes e tivemos também uma baixa, o Marcelo. Mais uma vez o Atla não pode participar, agora por conta de uma cirurgia recente.
Começamos o planejamento com pelo menos 01 mês de antecedência, decidindo cardápio, cronograma, avaliando a possibilidade de ir de carro até Lages, etc... No final das contas resolvemos ir de ônibus, por questões de segurança e conforto.
Eis que chega o dia tão esperado:

- Sexta feira 27/04/12 – Segura Peão
Mochilas prontas, saímos da minha casa às 20h, eu (Cristiano), meus irmãos Fernando e Heder, o Ronaldo e o Thiago, rumo à rodoferroviária de Curitiba onde encontraríamos o Elder. Véspera de feriado prolongado as imediações da rodoviária fica intransitável, por isso não quisemos carona e fomos de busão mesmo. (como ainda morava no bairro Uberaba pegamos o ônibus Canal Belém, a aventura já começou ai, a rua cheia de buracos e remendos x motorista apresado = touro mecânico kkk).
Pouco depois de chegar na rodoviária encontramos o Elder, que veio de carona com sua esposa. A galera ainda não o conhecia, então aproveitamos o tempo que restava, até a chegada do ônibus, pra quebrar o gelo.
Sem atraso o ônibus sentido Lages chegou as 23:55h

Dica:
- Prefiram sempre o ultimo horário de ônibus para Lages, caso contrário ficarão muito tempo na rodoviária. O primeiro ônibus pra Alfredo Wagner só sai as 9h.

- Sábado 28/04/12 – Prova de Fogo, ou melhor  d’água.
Chegamos em Lages pouco antes das 6h da manhã e fazia muito frio. Combinamos de comprar nosso lanche, que seria a principal refeição do dia, no mercado próximo à rodoviária, que só abre às 8h, mas como o primeiro ônibus que vai pra Alfredo Wagner só sai às 9h tínhamos tempo de sobra.

Pra nossa tristeza começou uma chuva fraca que logo ganhou força. Próximo das 11h desembarcamos na rodovia, bem próximo da entrada da estrada rural que iríamos percorrer. E a chuva não dava trégua. De acordo com o planejado, fizemos uma parada pra lanchar em um pequeno cemitério que fica perto de uma igreja evangélica. Nesse momento todos estavam um pouco desanimados com o risco da chuva não parar.
De barriga cheia, ou quase, retomamos nossa caminhada. Conversei um pouco com um morador local e ele nos desanimou mais ainda, disse que um tempo atrás um grupo subiu os platôs, mas se obrigaram a desistir devido a forte chuva. Seguimos adiante mesmo assim.
Pouco depois do cemitério pegamos uma rua a esquerda que dá acesso a uma propriedade particular. Demoramos pra achar a trilha, mas com um pouco de paciência conseguimos nos localizar e iniciamos a subida por volta das 16h. Cada um estava levando em media 15 kg de bagagem, mais o peso da água acumulada e o cansaço da viagem e da estrada, fizeram com que a subida fosse interminável. O Ronaldo estava na frente seguido do Heder e do Fernando, enquanto eu o Elder e o Thiago ficamos por último. Fomos avançando lentamente a dura e íngreme subida enquanto escurecia, chovia e esfriava cada vez mais. O pior é que sabíamos que o local do primeiro acampamento era irregular e cheio de touceiras.
Finalmente chegamos até o local, exaustos molhados e de baixo astral. Armar acampamento se tornou uma tortura, ventava e chovia muito. Eu já não estava sentindo mais minhas mãos o que tornou a tarefa ainda mais complicada. Decidimos que não faríamos o jantar e comemos bolachas pra saciar a fome. Na da barraca, totalmente inclinada e molhada por dentro, passamos por uma prova de fogo. Choveu forte a noite inteira e acredito que todos estavam se perguntando se valeria a pena continuar no dia seguinte.

Dica:
- Cuidado, os motoristas não sabem onde fica a estrada, deixe o GPS ligado e informe onde  quer descer. O bairro chama-se Lomba Alta e fica a aproximadamente 10 km da rodoviária de Bom Retiro.
- Siga sempre pela estrada principal, não tem erro.

- Domingo 29/04/12 – Ronaldo e seu Cajado
Amanheceu. Junto com o amanhecer veio o sol e a chuva cessou. Estávamos mais uma vez animados, a felicidade era tanta que eu estava rindo até das piadas sem graça que eu mesmo contei kkk.Tomamos um merecido café da manha enquanto ajeitávamos as tralhas e então iniciamos oficialmente a caminhada pelos platôs.

Com o tempo aberto tivemos a primeira vista dos platôs e das montanhas à sua volta. Nenhuma foto é capaz de descrever a beleza do local, mas dá pra ter uma noção. A mãe natureza foi muito generosa e nem mesmo a intervenção dos fazendeiros, com queimadas regulares, puderam estragar a paisagem.
A vegetação estava encharcada, dificultando (e melecando rs) nossa caminhada. Para avançar com menos esforço preferimos andar pela lama, acumulada em uma pequena trilha de gado beirando um barranco. O inevitável aconteceu. Deparamos-nos com um pequeno rebanho de gado. Confesso que fiquei bem apreensivo porque o desgramado nos seguia com seu olhar macabro e não arredava os pés do lugar. Para evitar o confronto corpo a corpo nos enfiamos no mato e desviamos nosso caminho. Me disseram que só os touros são perigosos, como não sei diferenciar um touro de um boi e não estava a fim de perguntar pra ele, resolvi me acovardar mesmo. (mais vale um covarde safo do que um valentão chifrado hehe).
Nesse meio tempo o Ronaldo arranjou um cajado. Foi amor à primeira vista, acho, inclusive, que ele até dormia com o dito cujo. No começo fomos meio relutantes, mas depois acabamos aceitando, dado as múltiplas funções que ele estava exercendo em função do grupo. Mais pra frente entenderão melhor.

Próximo ao meio dia paramos pra fazer o almoço ao lado de um pequeno córrego. Dividimos as tarefas, como de praxe, e minha tarefa era fazer o fubá. Já estava ficando irritado com a demora do processo, o troço não engrossava de jeito nenhum. Eis que o Thiago me deu uma grande dica: “pô desse jeito não dá mesmo, você não ligou a fogareira!” kkkkkkkkkkkkkk O detalhe é que já fazia mais de 15 minutos que eu estava mexendo a gororoba hehe. Problemas técnicos resolvidos almoçamos, lavamos a louça L e voltamos a caminhar.
Agora estávamos indo em direção ao primeiro vara mato, intitulado como ponto 33 no nosso GPS. Trata-se de passar de um platô para outro, e é claro que sempre tem um vale no meio. Como da última vez tivemos muita dificuldade em transpor esse obstáculo, avaliamos bem a direção a seguir antes de entrar no mato. Graças aos gados existem vários “caminhos” batidos, caso contrário à dificuldade seria bem maior. Procuramos manter a mesma altitude, para não descer o vale. Fomos costeando um morro até o ponto mais alto em comum com o outro, já do outro lado precisamos atravessar um banhado repleto de touceiras e caratuvas. Pronto, sem dificuldades já estávamos caminhando pelos platôs novamente.

Nosso objetivo do dia era acampar próximo ao morro do seio. Já estava escurecendo e decidimos passar o morro descer e acampar perto do rio, como da última vez. Tomei uma decisão errada e subimos muito antes de desviar o cume. Isso nos custou muito tempo e energia, pois passamos do ponto de descida e tivemos que enfrentar um vara mato desnecessário. Foi um perrengue grande porque já estava escuro e o mato estava muito fechado. Recorremos ao GPS e tentamos, dentro da mata, acertar a direção. O problema é que não poderíamos descer muito porque existe um vale enorme à direita, ou seja, deveríamos manter a altitude e rumar à esquerda, mas estava impossível, a cada passo que dávamos nos afundávamos na lama até o joelho. Depois de muita peleia avistamos a clareira. A alegria foi geral.

Montamos acampamento e começamos o procedimento do jantar, a temperatura despencou e antes das 23h o termômetro marcava quase 3ºC negativos. Pelo menos teríamos uma noite confortável, o lugar que acampamos era plaino, macio e seco e de quebra levei um colchão inflável. Pensei: “terei a melhor noite de sono da minha vida”. Doce engano antes da 1h da madruga acordei todo mundo com um berro: “filha da p...” a porcaria do meu colchão estava furado e esvaziou kkkk o Ronaldo teve o mesmo problema e se conformou quando soube que eu estava dormindo no “duro” também hehe. Pelo menos ele serviu como isolante térmico, pesado, diga-se de passagem, 2,5 kg kkkkkkkkk
Dica:
- Procurem caminhar pelas encostas, não caiam na tentação de cortar caminho pelo meio pois é muito difícil andar pela vegetação;
- Certifiquem-se de a fogareira está ligada rs;
- Nada de colchão, a melhor opção é o isolante térmico, embora não seja tão confortável ele não te pregará nenhuma peça;
- Carta topográfica, bússola e GPS são indispensáveis para conforto e segurança do grupo;
- Estudem a curva de nível do terreno, isso irá facilitar as coisas, principalmente na hora do “vara mato”.

- Segunda 30/04/12 – Cadê o Junior?
6h da manhã, forte geada, um frio lascado! Para poupar espaço dentro da barraca colocamos as mochilas dentro de um saco. O Ronaldo (desavisado hehe) deixou sua calça em cima da barraca (não me perguntem por que) e ela ficou parecendo um pedaço de madeira, estava totalmente congelada, assim como a bota de quem deixou no tempo. Como sou esperto coloquei tudo dentro de um saco, dentro da mochila e a mochila dentro de outro saco...

Foi uma tormenta atender as necessidades fisiológicas, se é que vocês me entendem, o júnior coitado nem queria dar as caras fora da cueca, fora o vento gelado batendo na bunda rs. O Heder e o Elder ficaram incumbidos de lavar a louça do jantar do dia anterior, coitados. Demoramos mais do que o planejado pra levantar acampamento e começamos andar quase ás 9h. Com os pés congelados iniciamos a subida de mais um morro, um dos últimos que subiríamos. Lentamente fomos ganhando ritmo e altitude. Batemos algumas fotos com a bandeira do Montanhoso e continuamos nossa caminhada.

Antes de subir o derradeiro morro tivemos que encarar outro rebanho, que estava próximo da porteira que deveríamos passar. O problema é que do outro lado da cerca tinha uma vaca e os bois não saiam do caminho, de certo com interesses reprodutivos rs. Novamente a falta de coragem nos abateu, quem sabe se tivéssemos crescido no interior fossemos mais “corajosos”. Apelamos pra uma técnica muito antiga, o grito, mas nem deram bola, só tinham olhos e ouvidos para a fêmea. Fomos obrigados a margear a cerca e pular bem pra baixo de onde deveríamos, mas tudo bem deu tudo certo.

A última subida foi tensa, ao menos pra mim, subi bem devagar tentando poupar energia. Logo estávamos começando a descer e pouco tempo depois fizemos o último e pequeno vara mato, composto basicamente por arbustos e caratuvas. Como planejado chegamos ao rio na hora do almoço. Na verdade fizemos um banquete, com direito a arroz tropeiro e feijão. Nem preciso dizer que comi demais né!? rs. Aproveitamos para nos limpar (se não perceberam até agora não comentei nada sobre banho, até porque não existiu kkk), todo mundo relaxado de pés descalços... kkkk quase morri de rir quando vi o pé da rapaziada (isso inclui o meu também), bolhas, feridas etc...
Os platôs ficaram pra trás e mais um longo trecho de estradas rurais nos esperavam. Saímos do rio quase às 15h e no cair da noite estávamos pedindo água em uma propriedade particular onde dois sujeitos cuidam de cabras. Andamos até às 20h e arranjamos um lugar bacana pra acampar. Novamente a temperatura foi negativa e mesmo bem agasalhados e dentro do saco de dormir passamos frio. Não concordei com o grupo, achava que deveríamos ter andado mais durante a noite e acampado mais adiante, por sorte a maioria venceu e no outro dia percebi que aquele realmente foi o melhor lugar pra acampar e por sinal foi a melhor noite de sono que tivemos.

Dica:
- Programem com antecedência os pontos de parada;
- Levem clorin (comprimido a base de cloro que pode ser encontrado em lojas especializadas de montanhismo) porque muitas vezes a água parece saturada, fora a contaminação pelas fezes dos gados.

- Terça feira 01/05/12 – Pernas Pra Que te Quero / A Praça é Nossa
Por ter acampado antes do local programado tivemos que andar a passos largos. Todos estavam delirando com a possibilidade de almoçar em um restaurante em Urubici. O cansaço nos pegou de vez e ainda faltavam alguns quilômetros para nosso destino final. Agora voltarei a falar do cajado do Ronaldo. Além de ter sido seu fiel companheiro o cajado nos ajudou a passar por buracos enlamaçados (sério, enquanto estávamos nas montanhas todos sujos nem ligávamos para a lama, bastou limpar a roupas e botas pra que ficássemos enjoados hehe). Embora tenha sido de muita utilidade o final do cajado foi trágico, andávamos lado a lado, eu e o Ronaldo, quando ele escorregou e não conseguiu segurar o pau kkkkkk fui atingido na barriga, o que causou muita, mas muita dor mesmo (fiquei mais de uma semana com hematoma). O Fernando, que já não ia com a cara do coitado (cajado) mesmo, ficou furioso e o lançou para o meio do mato. Senti pena do Ronaldo, achava que tava rolando um clima, sem viadagem, estilo o Wilson do Náufrago. Mas esse foi o fim do guerreiro.
Depois de muito esforço chegamos até uma simpática pousada, nas proximidades do rio dos Bugres, onde conseguimos carona para vencer os 3 ou 4 últimos quilômetros. E o melhor, ainda eram 11h da manhã.
Chegamos ao restaurante. Estávamos parecendo favelados e garanto que nosso cheiro não deveria ser de perfume Frances. A impressão que dava é que todos estavam nos olhando, mas a fome era tanta que acabamos desencanando. Pela foto dá pra avaliar o tamanho da fome hehe.
Depois de um bom tempo comendo fomos em direção ao posto rodoviário, no centro de Urubici, de onde partiria o ônibus com destino a Florianópolis. Ainda era muito cedo e o busão só iria sair às 18h, então fomos até o banheiro do posto de gasolina trocar de roupa. Fiquei por último pra usar o banheiro e quando entrei dei de cara com um chuveiro kkkk eu tinha sabonete, shampoo, anti-transpirante, perfume... hehe Fui o único quem tomou banho. Estava me sentindo o rei da cocada preta, limpinho, cheiroso huahauhuahua o Ronaldo ficou morrendo de inveja!
Sentamos na pracinha e ficamos papeando enquanto aguardávamos o ônibus, o Thiago tava parecendo um mendigo, pensei até que ele iria ganhar uma esmola de umas velhinhas que estavam fazendo piquenique. No horário certo embarcamos sentido Floripa e assim que chegamos lá já tinha um ônibus pra Curitiba na espreita. Pouco depois das 3h da madruga desembarcamos na rodoferroviária e nossa aventura chegou ao fim.




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Mais Fotos




Relato: Cristiano Amaro
Fotos: Elder Ribeiro, Fernando Amaro e Heder Amaro

Montanhoso, Subindo Montanhas e Conquistando Amizades

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